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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Ayrá - Parte 1

Xangô Airá, normalmente confundido com Xangô, na verdade é um orixá
próprio, que pertence à família de Xangô em Oyó, Nigéria. Este orixá
veste-se de branco, tem profundas ligações com Oxalá, e é o grande
homenageado durante a festa do fogo (Isire Ina Ayra) que, no Brasil,
comemora-se em 29 de junho.
Airá não usa coroa, mas um eketé branco. Suas comidas votivas não são
temperadas com dendê, e sim com banha de ori africana. Come quiabos, assim
como Xangô e toda a sua família.
Segundo os mitos, Oxalá permaneceu injustamente preso durante sete anos no
reino de seu filho, Xangô, sem que este soubesse do fato. Grandes
calamidades ocorreram em todo o reino devido a essa injustiça e quando
Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido com o próprio pai,
resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em
todo o reino, em sua homenagem. A festividade conhecida hoje como "Águas
de Oxalá" remonta a esse acontecimento.
No entanto, Oxalá estava muito alquebrado, ferido e entristecido. Apesar
de toda a atenção que recebeu, a única coisa que desejava era retornar ao
seu próprio reino, em Ifé, onde Yemanjá, sua esposa, o aguardava. Xangô
não podia acompanhá-lo pois precisava colocar em ordem o próprio reino e
pediu a Airá que fizesse isso em seu lugar.
Foi assim que Airá tornou-se o companheiro de Oxalá, pois a viagem foi
muito longa já que Oxalá andava muito devagar pelo fato de ainda estar se
recuperando dos ferimentos que adquirira durante os sete anos de prisão.
Durante o dia, eles caminhavam. À noite, Oxalá sentia frio e precisava
descansar. Para aquecê-lo e distraí-lo dos próprios pensamentos, Airá
mandava que acendessem uma grande fogueira no acampamento. Oxalá observava
o fogo e Airá passava longas horas contando-lhe histórias do povo de Oyó.
Desse modo, tornou-se tradição acender a fogueira no dia 29 de junho de
cada ano (no Brasil), em homenagem a Airá e à viagem que fez em companhia
de Oxalá.

Rivalidade entre Orunmilá e Ossain - Lenda

Orunmilá (Elerin Ipin),
o testemunho do destino dos seres humanos,
está precisando de um criado.
Ele vai ao mercado e,
entre os escravos que estão a venda,
ele escolhe Ossain.
Manda-o desmatar o campo para novas plantações.
Entretanto, para desespero de Orunmilá,
Ossain volta à noite, sem ter cumprido sua ordem.
Orunmilá lhe pergunta por que ele nada fez.
Ossain lhe responde:
'Todas estas plantas, estas folhas e estas ervas têm virtudes.
Elas não podem ser destruídas.
Esta folha, por exemplo, acalma as dores de dentes;
estra outra, protege contra os efeitos de trabalhos maléficos;
esta outra, ainda, cura a febre.
Impossível, em verdade, arrancar plantas tão necessárias à saúde e a felicidade!'
Orunmilá impressionado, decide que Ossain deverá,
a partir de então, permanecer ao seu lado durante as sessões de advinhação, para guiá-lo na escolha dos remédios que deverá prescrever a seus consulentes.
Uma surda rivalidade se estabelece, pouco a pouco entre esses deuses. Ossain, fofrendo por ser mantido em submissão, vagloriava-se de ser mais importante que Orunmilá, pois ele possuía o poder da magia mortal e dos medicamentos que preparava.
Ossain chegou a declarar ao rei Ajalayé
que ele viera ao mundo antes de Orunmilá e,
sendo mais antigo, tinha direito ao seu respeito.
O rei Ajalayé envia, então, uma mensagem a Orunmilá.
Ele quer saber, entre ele e Ossain, qual o mais importante dos dois. Orunmilá responde ser ele mais antigo que Ossain.
O rei decide submetê-los a uma prova.
Ele os convoca, acompanhado de seus primogênitos.
Orunmilá chega com seu filho chamado Sacrifício.
Ossain apresenta-se com o seu, chamado Remédio.
Os dois serão enterrados durante sete dias.
Aquele que sobreviver à provação e responder primeiro com uma voz clara e forte, ao chamado que será feito, no fim do último dia, verá seu pai ser declarado vencedor.
Duas covas foram abertas.
Sacrifício e Remédio foram colocados dentro e as covas foram fechadas.
Orunmilá, voltando para casa, consultou Ifá.
'Meu filho estará ainda vivo, passados os sete dias?'
Ifá aconselhou-o a oferecer muito ekuru - um prato saboroso, bolo de feijão, pimenta, um galo, um bode, um pombo, um coelho e dezesseis búzios da costa.
Orunmilá preparou a oferenda. Ela foi colocada em quatro lugares: na estrada, numa encruzilhada, diante de Exu e no mercado. Exu exerceu seu poder sobre o coelho sacrificado.
Este ressuscitou e cavou um buraco que foi terminar na cova de Sacrifício, o filho de Orunmilá.
Assim o coelho levou alimento pra ele.
Remédio, o filho de Ossain, nada tinha para comer.
Mas ele possuía alguns talismãs que agiam sobre a terra e permitiram-lhe, assim, encontrar Sacrifício no fundo dq sua cova.
Remédio pede-lhe comida.
Sacrifício responde:
'Ah! Como posso eu, filho de Orunmilá, dar-lhe comida, quando há uma disputa em jogo? Tu não vês que assim causará o sucesso de Ossain, estando vivo para responder o chamado que será feito no fim dos sete dias?'
Remédio insiste e promete a Sacrifício permanecer calado quando for feito o apelo.
Sacrifício, então, dá de comer a Remédio.
E chegou o final da prova.
Os juízes chamam o filho de Ossain:
'Remédio! Remééédio! Remééééééédio!'
Eles chamam em vão. Remédio nã responde.
'Bem! Remédio está morto' - concluem eles.
Chamam depois, o filho de Orunmilá:
'Sacrifício!'
Imediatamente, escutam um forte sim.
Sacrifício está são e salvo!
Remédio sai, em seguida, igualmente vivo.
Ossain pergunta ao filho a razão do seu silêncio, quando foi chamado o seu nome.
Remédio narra o pacto feito com Sacrifício.
Comida contra silêncio!
Este pacto tornou-se provérbio:
'Sacrifício não deixa Remédio falar'.
Significando que sacrifício é mais eficaz que remédio.
Razão pela qual, Orunmilá tem uma posição mais elevada que Ossain.

Qualidades de Yemanjá

1. Yemanjá AWOYÓ:
A primogênita. A mais velha das Yemanjá e um dos mais ricos trajes; usa sete saias para dançar e defender seus filhos. Ela vive distante no mar e repousa na lagoa; come carneiro e, quando sai a passeio, usa as jóias de Olokum e coroa-se com Oxumarê, o arco-íris.
2. Yemanjá OGUNTÉ:
É a guardiã de Olokum. É a Senhora da Cor azul anil, mas tb adorna-se com verde mar e prata, está nos arrecifes da costa (porteira de Olokum). Encontra-se tanto no mar, no rio, na laguna, quanto na mata. Yemanjá Ogunté, é mulher do deus da guerra e dos ferros, OGUM ALAGBEDÉ Come (recebe sacrifícios) em sua companhia e os aceita tanto no mar quanto no matagal.Também é esposa de Oxaguiã, Usa capacete, espada alfange (espada da morte), braceletes, tornozeleiras, peitaça e um abebê, que esconde nas costas.Quando guerreia leva pendentes da cintura o facão e as demais ferramentas de Ogum. Ela trabalha muito, é severa, rancorosa e violenta. É uma temível amazona. Senhora do canto mais profundo!
3. Yemanjá MAYALEO ou MAYELEWO:
Mora nos bosques, em um pequeno poço ou manancial, que sua presença torna inesgotável. Nesse caminho, assemelha-se à sua irmã Oxum Ikolé, porque é feiticeira. Tem estreitas ligações com Ogum. Tímida e reservada, incomoda-se quando se toca o rosto de sua iaô e retira-se da festa. Tem vibrações para a coroa de Ogum e Oxóssi.
4. Yemanjá AYABÁ ou SOBÁ:
Nesta qualidade, Yemanjá é perigosíssima, sábia e muito voluntariosa. Usa no tornozelo uma corrente de prata. Numa briga com Exú, ela teve sua perna ferida, por isso suas yaôs quase se arrastam em sala, numa primeira manifestação, depois mostram toda sua dança.Seu olhar é irresistível e seu ar é altaneiro. Foi mulher de Orunmilá, e Ifá sempre acata sua palavra e em honra a tal hierárquica entidade, num xirê de Sobá, sempre entra um Oxalá.Para ouvir seus fiéis costuma ficar de costas. Suas amarrações jamais podem ser desatadas. É a senhora do algodão, todos os seus assentamentos são feitos no algodão. Suas filhas costumam ser videntes ou tem o dom da intuição. E uma filha de Sobá, inevitávelmente, trará um Oxalá, por ser ifá, descendente da linhagem de Oxalá.
5. Yemanjá KONLÉ ou KONLÁ:
A da espuma está na ressaca da maré; enreda e envolta em um mato de algas e limo. Por ser navegante, vive bem no fundo dos oceanos, também veste azul anil e cristal, não tolera mentiras, tem forte ligação a Exú e a Ogum , usa peitaça, braceletes e uma linda coroa. Também mostra aos filhos os tesouros do mar.
6. Yemanjá AKUARA Ou KAYALA:
A das duas águas – Yemanjá na confluência de um rio. Ali encontra-se com sua irmã Oxum. Mora na água doce, gosta de dançar, é alegre e muito correta; Não pratica malefícios. Cuida dos doentes, prepara remédios, amarra abicus.Usa rosa e azul.
7. Yemanjá ASSESU:
É a mensageira de Olokum, a da água turva, suja. Muito séria e trabalhadora.; vai no esgoto, nas latrinas e cloacas. Recebe suas oferendas na companhia dos mortos. É muito lenta em atender seus fiéis, pois conta meticulosamente as penas do pato a ela sacrificado, e caso se engane na conta, começa de novo e essa operação se prolonga indefinidamente.Tem ligação com OMULU, não gosta de perfume, joga-se no chão e se põe a dormir, veste o azul apagado, pálido, também usa o verde cor das algas, não gosta de adornos.
8 .YINAÉ ou MALELÉ:
É aquela que os filhos sempre serão peixes, mora nas águas mais profundas , é a Yemanjá que vira um tubarão e arrasta os infiéis para o fundo do mar, ligada a reprodução dos peixes , vem sempre a beira do mar apanhar suas oferendas . Ligada a Oxalá e Exú. Também conhecida como a Yemanjá das conchas.

Qualidades de Ayrá - Parte 2

- ANTILE
Veste branco e é ligado a YEMONJA SOBÀ e ÒSUN KARÉ. Foi êle quem carregou OSÀLÚFÓN nos ombros e tentou coloca-lo contra SÀNGÓ , dizendo que êle teria passado os sete anos na prisão por culpa de seu filho, SÀNGÓ. Por isto existe uma KIZILA entre AYRÀ e SÀNGÓ , não podendo AYRÀ ser posto em cima do pilão , pois provoca a ira de OSÀLÚFÓN. Come com ÈSÙ.
- OSUIBURU
Veste o preto e caminha nas trevas com ÈSÙ e ÉGÚN, não se raspa.
- AYRÀ AYRÀ
Come com ÒÒSÀÀLÀ e veste branco. Caminha junto com ÒGÚN JÀ, se não assenta-lo AYRÀ não caminha e a pessoa para no tempo.
- AYRÀ OCÌ
Idêntico ao AYRÀ AYRÀ, só que é calmo.
AYRÀ IBONA
É o pai do fogo. Veste branco.
- AYRÀ OMONIGI
É um AYRÀ muito quente e filho do fogo. Se provocado solta fogo pela boca. Come com ÒSUN.
- ALAMODÉ
É um AYRÀ menino. Come com YEMONJA e OSOGUIAN. ÒGÚN JÀ fica a seus pés.
- AJOSSIN
É o dono do camelo. Não tem medo da morte como SÀNGÓ de dendê. Veste branco.
- EPOMIN
Foi êle quem brigou e destronou OMOLÚ.
- ADJAOSSI
O verdadeiro esposo de OBÁ. Brigou com ÒGÚN JÀ. Veste branco. ÒGÚN JÀ fica em outro quarto.
- YIGBOMIN ou BOMIN
É bom, conselheiro, dono da verdade, reina nas águas junto com ÒSUN. Não faz nada sem perguntar a ÒÒSÀÀLÀ.
- ETINJÀ
Depende de ÒGÚN JÀ para caminhar, é guerreiro e cruel, não recusa uma batalha. Veste branco.
- YBONA
É o AYRÀ da quentura.
- DUNDUN
Identico ao OXUIBURU.