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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Rivalidade entre Orunmilá e Ossain - Lenda

Orunmilá (Elerin Ipin),
o testemunho do destino dos seres humanos,
está precisando de um criado.
Ele vai ao mercado e,
entre os escravos que estão a venda,
ele escolhe Ossain.
Manda-o desmatar o campo para novas plantações.
Entretanto, para desespero de Orunmilá,
Ossain volta à noite, sem ter cumprido sua ordem.
Orunmilá lhe pergunta por que ele nada fez.
Ossain lhe responde:
'Todas estas plantas, estas folhas e estas ervas têm virtudes.
Elas não podem ser destruídas.
Esta folha, por exemplo, acalma as dores de dentes;
estra outra, protege contra os efeitos de trabalhos maléficos;
esta outra, ainda, cura a febre.
Impossível, em verdade, arrancar plantas tão necessárias à saúde e a felicidade!'
Orunmilá impressionado, decide que Ossain deverá,
a partir de então, permanecer ao seu lado durante as sessões de advinhação, para guiá-lo na escolha dos remédios que deverá prescrever a seus consulentes.
Uma surda rivalidade se estabelece, pouco a pouco entre esses deuses. Ossain, fofrendo por ser mantido em submissão, vagloriava-se de ser mais importante que Orunmilá, pois ele possuía o poder da magia mortal e dos medicamentos que preparava.
Ossain chegou a declarar ao rei Ajalayé
que ele viera ao mundo antes de Orunmilá e,
sendo mais antigo, tinha direito ao seu respeito.
O rei Ajalayé envia, então, uma mensagem a Orunmilá.
Ele quer saber, entre ele e Ossain, qual o mais importante dos dois. Orunmilá responde ser ele mais antigo que Ossain.
O rei decide submetê-los a uma prova.
Ele os convoca, acompanhado de seus primogênitos.
Orunmilá chega com seu filho chamado Sacrifício.
Ossain apresenta-se com o seu, chamado Remédio.
Os dois serão enterrados durante sete dias.
Aquele que sobreviver à provação e responder primeiro com uma voz clara e forte, ao chamado que será feito, no fim do último dia, verá seu pai ser declarado vencedor.
Duas covas foram abertas.
Sacrifício e Remédio foram colocados dentro e as covas foram fechadas.
Orunmilá, voltando para casa, consultou Ifá.
'Meu filho estará ainda vivo, passados os sete dias?'
Ifá aconselhou-o a oferecer muito ekuru - um prato saboroso, bolo de feijão, pimenta, um galo, um bode, um pombo, um coelho e dezesseis búzios da costa.
Orunmilá preparou a oferenda. Ela foi colocada em quatro lugares: na estrada, numa encruzilhada, diante de Exu e no mercado. Exu exerceu seu poder sobre o coelho sacrificado.
Este ressuscitou e cavou um buraco que foi terminar na cova de Sacrifício, o filho de Orunmilá.
Assim o coelho levou alimento pra ele.
Remédio, o filho de Ossain, nada tinha para comer.
Mas ele possuía alguns talismãs que agiam sobre a terra e permitiram-lhe, assim, encontrar Sacrifício no fundo dq sua cova.
Remédio pede-lhe comida.
Sacrifício responde:
'Ah! Como posso eu, filho de Orunmilá, dar-lhe comida, quando há uma disputa em jogo? Tu não vês que assim causará o sucesso de Ossain, estando vivo para responder o chamado que será feito no fim dos sete dias?'
Remédio insiste e promete a Sacrifício permanecer calado quando for feito o apelo.
Sacrifício, então, dá de comer a Remédio.
E chegou o final da prova.
Os juízes chamam o filho de Ossain:
'Remédio! Remééédio! Remééééééédio!'
Eles chamam em vão. Remédio nã responde.
'Bem! Remédio está morto' - concluem eles.
Chamam depois, o filho de Orunmilá:
'Sacrifício!'
Imediatamente, escutam um forte sim.
Sacrifício está são e salvo!
Remédio sai, em seguida, igualmente vivo.
Ossain pergunta ao filho a razão do seu silêncio, quando foi chamado o seu nome.
Remédio narra o pacto feito com Sacrifício.
Comida contra silêncio!
Este pacto tornou-se provérbio:
'Sacrifício não deixa Remédio falar'.
Significando que sacrifício é mais eficaz que remédio.
Razão pela qual, Orunmilá tem uma posição mais elevada que Ossain.